domingo, 26 de junho de 2011

CÂNTICO DOS CÂNTICOS DE SALOMÃO


Esta é uma série de estudos sobre o livro de Cantares de Salomão extraído e adaptado do livro: Comentário Bíblico Expositivo de Warren W. Wiersbe

INTRODUÇÃO

 O livro trata do amor e do casamento, e, na cultura hebraica, durante a semana de celebração do matrimônio, o noivo e a noiva são tratados como um rei e uma rainha. Salomão é mencionado em 1 :1,5; 3:7, 9, 11; e 8:11, 12.
Salomão era um rei (1:4, 12; 3:9, 11; 7:5) e um pastor (1:7,8; 2:16; 6:2, 3), pois, no tempo do Antigo Testamento, os governantes eram chamados de "pastores" (Jr 23; Ez 34).
No Oriente, o xeique era o patriarca da família, o pastor de um rebanho e o soberano de um reino (ver Lc 12:32). A personagem principal cuidava de um rebanho (1 :8) e de uma vinha (1 :6).
Salomão escreveu 1.005 cânticos (1 Rs 4:32), mas este é chamado de "Cântico dos Cânticos" (1: 1).
O tema do livro é o amor, a maior de todas as virtudes (1 Co 13:13). Nos dias de sua juventude, antes de se ver enredado pelos deuses de suas inúmeras esposas pagãs (1 Rs 11 :1-8), Salomão compreendeu as alegrias e virtudes do amor conjugal e escreveu este livro tão belo. O rei teve, ao todo, 700 esposas e 300 concubinas (1 Rs 11 :3), o que constituiu uma transgressão da lei de Deus (Dt 17:17). Seu casamento com várias princesas se deu com o objetivo principal de estabelecer relações pacíficas e lucrativas com os pais dessas mulheres [ 1 ].
Este livro possui diversas nuanças teológicas, mas o tema principal é a excitação e o prazer do sexo, do amor e do casamento, três dádivas de Deus. Ao contrário de algumas religiões que condenam o prazer físico, tanto os judeus quanto os cristãos consideram a vida e seus prazeres físicos dádivas de Deus.
Esse conceito aplica-se especialmente ao casamento e ao amor íntimo entre o marido e a esposa. O sexo e o casamento eram levados extremamente a sério na cultura hebraica. Os noivados eram relacionamentos comprometidos que só podiam ser rompidos pelo divórcio, e o pecado pré-nupcial do adultério era tratado com severidade.
Ao contrário dos romances modernos, este livro não apresenta um enredo óbvio, mas, ao que parece, aos poucos vai se desenvolvendo uma trama "descoberta" ao longo de uma leitura mais atenta.
Os personagens são poucos: o rei Salomão, a bela mulher (a "sulamita", uma forma feminina do nome Saio mão), que se torna sua esposa; os irmãos da sulamita (1 :5, 6; 8:8-10);
e as "filhas de Jerusalém", que fazem as vezes de coro ao fundo. A sulamita é quem fala a maior parte do tempo.
Os irmãos da sulamita trabalham para Salomão cuidando de suas vinhas e colocam a irmã para ajudá-los (8:11-14). Disfarçado de pastor, o rei Salomão visita suas vinhas, vê a sulamita e se apaixona por ela (1:1 - 2:7). Ela descreve o tempo que passam juntos como um rico banquete.
Na primavera seguinte, ele a pede em casamento, e ela aceita. Ele precisa passar algum tempo afastado, mas promete voltar. Na ausência do amado, a sulamita sonha com ele (3:1-5). Então, ele volta e lhe revela que é o rei Salomão. Eles se casam e consumam a união na noite de núpcias (3:6 - 5:1). O restante do livro descreve a celebração de seu amor ao passarem por várias aventuras juntos.
Cântico dos Cânticos tem muito a nos ensinar sobre a dádiva dos prazeres do amor e do sexo que Deus concede aos homens e mulheres. Também apresenta os padrões determinados por Deus para o casamento, ilustrando os privilégios maravilhosos e as responsabilidades sérias que o marido e a esposa têm para com Deus e um para com o outro (ver 1 Co 7:1-5; Ef 5:22-33; 1 Pe 3:17).
Os judeus chamavam o Cântico dos Cânticos de Salomão o "Santo dos Santos" das Escrituras e não permitiam que o livro fosse lido pelos mais jovens e imaturos.
No mundo de hoje, com sua ênfase sobre os prazeres sensuais da lascívia indiscriminada e não sobre os prazeres puros do sexo no casamento, nossos jovens estão precisando de um bom curso baseado no Cântico dos Cânticos de Salomão.
O livro desenvolve-se ao ar livre, usando várias imagens da natureza - jardins, campos, montanhas, rebanhos, aves, flores, especiarias e animais - e o amor entre o homem e a mulher encaixa-se perfeitamente nesse contexto. A natureza toda é uma dádiva de Deus para nós e deve ser usada para a glória de Deus, e isso inclui a natureza humana e a maravilhosa dádiva da sexualidade.
Quando o marido e a esposa possuem um relacionamento belo e santo, seu mundo todo se torna igualmente belo e santo. Sem fugir da realidade nem profanar as dádivas de Deus, o livro fala de maneira bastante aberta da sexualidade humana e mostra como pode ser santificada e usada para a glória de Deus. Trata-se de um livro de metáforas e de símiles, que emprega diversos recursos literários para nos mostrar a maravilha e a glória do amor divino e humano.
Assim como o Livro de Ester, o Cântico dos Cânticos de Salomão não menciona o nome de Deus, mas a compreensão deste livro, sem dúvida alguma, tornará o Senhor muito mais real tanto para os casados quanto para os solteiros.
Os rabinos consideravam Cântico dos Cânticos um livro que exaltava o amor humano e o lugar apropriado do sexo no casamento. Também viam o livro como uma ilustração do amor de Deus por seu povo, Israel, e seu desejo de compartilhar um amor mais profundo com eles. Os intérpretes cristãos usam essa mesma abordagem, vendo no Cântico dos Cânticos o relacionamento amoroso entre Cristo e sua Igreja.
O Novo Testamento retrata a Igreja como a noiva e Cristo como o Noivo (Mt 9:15; Jo 3:29; 2 Co 11 :1-4; Ef 5:22-33; Ap 19:7; 21 :2, 9;22:17).
O Espírito Santo deseja nos conduzir a uma comunhão mais profunda com o Pai e o Filho, ao conversarmos intimamente com o Senhor através de sua Palavra e obedecermos à sua vontade (Jo 14:19-27). A adoração e a comunhão são muito mais do que doutrinas e rituais religiosos com os quais concordamos em nível intelectual.
O Espírito pode operar de maneira mais profunda em nossa vida, revelando o Noivo celestial mais plenamente, e, portanto, não devemos nos contentar com uma simples amizade superficial com o Senhor.
Apesar de Cântico dos Cânticos ilustrar o amor cada vez mais profundo que podemos ter com Cristo, devemos ter cuidado para não transformar a história numa alegoria, atribuindo a todos os seus elementos algum outro significado. Tudo é possível para aqueles que empregam as alegorias, e as ideias resultantes normalmente são heréticas.
É quase risível ler alguns dos comentários mais antigos (e seus imitadores modernos) e ver como os intérpretes distorcem as palavras de Salomão como lhes convém. A linguagem do amor é imaginativa e lança mão de imagens sucessivas, a fim de transmitir sua mensagem.
Porém, interpretar que os seios da noiva representam as duas ordenanças (o Batismo e a Santa Ceia), que o jardim é a igreja local, ou que a voz da rola é o Espírito Santo falando é confundir, senão destruir, a mensagem do livro.
Outros textos da Bíblia podem apoiar as ideias expressas por esses intérpretes cheios de imaginação, mas tais ideias não vêm daquilo que Salomão escreveu.

"Maior do que Salomão." Quem quer que Salomão tenha sido e o que quer que ele tenha feito, Jesus o excedeu em muito, pois ele é, verdadeiramente, "maior do que Salomão" (Mt 12:42). Salomão era conhecido por sua grande sabedoria (1 Rs 4:29;5:12), mas Jesus Cristo é a sabedoria de Deus (1 Co 1 :24), e nele habita toda a sabedoria de Deus (CI 2:3).
Salomão também era conhecido por sua grande riqueza (1 Rs 10), mas em Jesus Cristo há "insondáveis riquezas" (Ef 3:8; ver Fp 4: 19).
Salomão desobedeceu a Deus e se casou com muitas esposas, mas Jesus obedeceu ao Pai e morreu na cruz para que tivesse uma noiva imaculada por toda a eternidade (Ef 5:2527; Ap 21 :2, 9ss).
O relacionamento descrito entre Salomão e a sulamita retrata o amor entre Cristo e sua noiva, e, quando Jesus voltar e levar seu povo para o céu, a noiva se tornará sua esposa. Salomão construiu um templo que acabou sendo destruído, mas Jesus está edificando seu templo, a Igreja (Mt 16:18), e ela o glorificará para sempre (Ef 2:20-22).  

[ 1 ] É interessante comparar e contrastar o que Salomão escreve sobre o casamento em Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Provérbios exalta a monogamia e o prazer do amor conjugal (Pv 5:15-20) e também adverte contra a fornicação, o adultério e a "mulher adúltera" (Pv 2:1655; 5:155; 6:20-35; 7:1-27; 22:14; 23:27, 28; 30:20). Em várias ocasiões ao longo de Provérbios, Salomão admoesta o rapaz a escolher a esposa certa e, desse modo, não ter de viver com uma mulher crítica e resmungona! Eclesiastes também admoesta o homem a "gozar a vida" com a esposa de sua mocidade (9:9). Apesar de suas muitas esposas e concubinas, Salomão sabia que o verdadeiro prazer do casamento era resultado de uma vida inteira de dedicação a um só cônjuge, durante a qual os dois cresceriam juntos e aprenderiam a amar um ao outro cada vez mais.
(Com base nos comentários de Warren W. Wiersbe)

Continua.....

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